A regulação de aditivos que conferem sabor e aroma aos produtos derivados do tabaco no Brasil

Silvana Rubano Barretto Turci, Valeska Carvalho Figueiredo, Vera Luiza da Costa e Silva

Resumo


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) proibiu, por meio da Resolução da Diretoria Colegiada nº 14, de 2012, o uso de aditivos que conferem aroma e sabor aos produtos derivados do tabaco, com o objetivo de reduzir a experimentação e iniciação por crianças e jovens já que o emprego dessas substâncias, que caracterizam sabores e reduzem a aspereza da fumaça, os tornam mais atraentes e palatáveis. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera o tabagismo como uma doença pediátrica pois 90% dos fumantes começam a fumar antes dos 19 anos e quanto mais cedo se iniciam no uso do tabaco, mais rapidamente eles se tornam dependentes. No Brasil, os custos do tratamento das doenças tabaco-relacionadas chegam a R$ 21 bilhões/ano. Proibir os aditivos é uma importante medida de saúde pública, em consonância com os artigos 9 e 10 e Guias Parciais de Implementação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco da OMS (CQCT/OMS), tratado ratificado pelo Brasil em 2005. Esses artigos versam sobre a regulamentação do conteúdo e a divulgação de informações dos produtos do tabaco, respectivamente. O artigo faz uma análise do processo regulatório no Brasil, elencando os principais eventos relacionados e sugerindo uma interferência direta da indústria fumageira e de grupos de interesse na tomada de decisão e na implementação da RDC14/2012. Apesar do esforço da Anvisa e de pareceres favoráveis da Advocacia Geral da União e da Procuradoria Geral da República quanto à constitucionalidade da medida, a indústria do tabaco tem procurado adiar sua entrada em vigor, prevista para setembro/2013, mas ainda pendente de decisão do Supremo Tribunal Federal.

Palavras chaves: tabaco; regulamentação de produtos do tabaco; proibição de aditivos.

Resumen: La Agencia Nacional de Vigilancia Sanitaria (ANVISA) prohibió, a través de resolución (RDC nº 14, de 2012), el uso de aditivos que imparten sabor y gusto a los productos de tabaco, con el objetivo de reducir su experimentación e iniciación por los niños y jóvenes desde que el uso de tales sustancias, que les dan sabores y reducen la dureza del humo, los hace más atractivos y apetecibles. La Organización Mundial de la Salud (OMS) considera el tabaquismo como una enfermedad pediátrica porque el 90 % de los fumadores empiezan a fumar antes de los 19 años, y mientras más pronto comience el uso del tabaco, más rápidamente se convierten en adictos. En Brasil, los costos del tratamiento de las enfermedades relacionadas con el tabaco lleguen a 21 billones de dólares al año. Prohibir aditivos en los productos de tabaco es una importante medida de salud pública, de conformidad con los artículos 9 y 10 y Guías de Implementación Parcial del Convenio Marco para el Control del Tabaco de la OMS (CMCT/OMS), tratado ratificado por Brasil en 2005. Tales artículos lidian con la regulación de contenidos y divulgación de los productos del tabaco, respectivamente. El artículo analiza el proceso de regulación de aditivos en productos de tabaco en Brasil, lista los principales acontecimientos relacionados y sugiere una interferencia directa de la industria tabacalera y de grupos de interés en la toma de decisiones e implementación de la RDC14/2012. A pesar de los esfuerzos de Anvisa y de opiniones favorables de la Procuraduría General y de la Fiscalía General sobre la constitucionalidad de la medida, la industria tabacalera ha tratado de retrasar su entrada en vigor, aún pendiente ante el Supremo Tribunal Federal.

Palabras clave: tabaco; regulación de los productos de tabaco; prohibición de los aditivos.

 

Abstract: The National Agency for Health Surveillance (ANVISA) banned through Resolution (RDC14/2012) the use of additives and flavors in tobacco products in Brazil with the aim to reduce the experimentation and initiation by children and young people, making them less attractive and palatable and reducing smoke harshness. The World Health Organization (WHO) considers smoking as a pediatric disease because 90% of smokers start before the age of 19 and the sooner they start using tobacco, the sooner they become dependent, generating treatment costs for tobacco-related diseases estimated to reach 21 billion dollars per year in Brazil. Prohibit additives is an important public health measure, in line with Articles 9 &10 and Partial Guidelines for Implementation of the WHO Framework Convention for Tobacco Control (FCTC) ratified by Brazil in 2005, that addresses content regulation and disclosure of tobacco products, respectively. The present study reviews the regulatory process in the country going through the main events that evolved to RDC14/2012 and prevented its implementation, suggesting a direct interference of the tobacco industry and interest groups in the decision making and entering into force of the regulation. Despite the efforts of ANVISA and favorable legal opinions from the Attorney General's and Federal Prosecutor Offices regarding the constitutionality of the measure, the tobacco industry has sought to delay its entry into force, initially expected for September/2013, but still pending before the Supreme Federal Court in March 2014.

Key-words: tobacco; product regulation; ban of additives and flavors.


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ISSN 2358-1824

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